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60 anos de Frinape: fatos e recordações ao redor da primeira edição

História do primeiro evento está repleta de memórias que constituem a importância do seu forte legado para Erechim

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Juracema Valandro, primeira rainha da Frinape
Por Daniel Lorenzo Scandolara
Foto Arquivo Histórico e Rodrigo Finardi/Arquivo

Em 2026, a tradicional ‘‘Frinape’’, organizada pela Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (ACCIE) e pela Prefeitura, completa 60 anos. Poucas ocasiões conseguem reunir a comunidade do Alto Uruguai como este evento multissetorial que congrega indústria, comércio, serviços, agropecuária, tecnologia, artesanato e shows. A se julgar pela cerimônia de lançamento da ‘‘Frinape 2026’’, realizada em agosto passado, a edição deste ano promete uma onda de honrarias ao legado da festividade. Deste modo, este se torna um momento fortuito para que a própria comunidade erechinense também relembre da história de algo que, à esta altura, já se tornou um marco citadino.

A idealização do evento

Em meados dos anos 1960, a idealização de uma reunião que pudesse potencializar a economia regional era ensejada pelos entes organizadores do que seria a primeira Frinape. Muito em linha com tal mentalidade, integrantes da diretoria da ACCIE reuniram-se em 14 de fevereiro de 1966, em um encontro empenhado a deliberar as atribuições da Comissão Executiva de organização de um evento desta natureza. Tinha-se noção, na modulação do que formou as diretrizes de criação da feira o fomento ao comércio, indústria e agropecuária; congregação de elementos tal que foi oficializada pelo governo municipal de Erechim em 26 de abril de 1966, por meio da Lei nº 901. Dita formalização, todavia, não deixaria de ser acompanhada por despacho favorável concedido pelo então Ministério da Indústria e Comércio e pelo registro devidamente realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado do Rio Grande do Sul.

Da escolha do nome do evento e ao nome de comida

Porém, seria errôneo presumir que a Frinape foi uma ideia totalmente gestada e executada em 1966 – pelo contrário, e o próprio surgimento de seu nome é um exemplo cristalino desta constatação. Um ano antes, a ACCIE movimentou-se em campanha para que a comunidade erechinense fosse responsável pela nomeação do vindouro evento. Logo, foi lançado um concurso com prêmio em dinheiro destinado ao proponente que oferecesse uma nomeação adequada aos fins que a organização buscava estimular. Foram milhares de sugestões de nomenclatura que compuseram um escrutínio que acabou sendo vencido pelo então estudante de odontologia Mozart Lago, de 18 anos, que concorreu com o pseudônimo de Esteves D'Amigo. Anos depois, em algumas entrevistas concedidas, Lago admitiu que o uso do pseudônimo nasceu do temor de que seu parentesco com Jaime Lago, seu primo, e que seria secretário geral da primeira feira, representasse algum tipo de censura à sua participação no concurso. De todo modo, o nome vencedor partiu de uma ‘‘engenharia linguística’’ promovida por Lago: ao conectar iniciais das palavras ‘‘feira’’, ‘‘agropecuária’’, ‘‘industrial’’ e ‘‘regional’, o futuro dentista fez nascer o termo ‘‘Frinape’’. Em outras palavras, conforme explicou seu criador, o hoje famoso termo foi gestado, em sua acepção total, por meio de um acrônimo para ‘‘Feira Regional, Industrial e de Agropecuária de Erechim’’.  

Em entrevista concedida em 2019 ao Bom Dia, Lago informou que na época o termo ‘‘Frinape’’ se popularizou de tal forma que que uma cafeteria no Clube do Comércio, chamada ‘‘Pizzamiglio’’, o escolheu para nomear um de seus lanches, uma espécie de cachorro quente ‘‘reinventado’’ pelo dono do estabelecimento. Por estar localizada proximamente a colégios como José Bonifácio, Mantovani e Medianeira, a cafeteria recebia um público de estudantes significativo, que tomou gosto pela ‘‘nova receita’’. Conforme relembrou Lago, ‘‘não se pedia um cachorro quente, se pedia um Frinape’’.

O primeiro evento e a primeira rainha

Foi nesta toada, portanto, que de 22 de outubro a 6 de novembro de 1966 a primeira Frinape foi realizada simultaneamente com a Festa Nacional do Mate (Fenamate). Como se tornaria questão tradicional a cada edição, a primeira feira já teve a escolha da rainha do evento, sendo Juracema Valandro, representante de Aratiba, eleita por votação popular (método utilizado à época). Vale notar que por conta do evento ocorrer juntamente à Fenamate, Valandro também foi escolhida como rainha desta. Por sua vez, as primeiras princesas da feira foram Ana Maria Zambonatto e Matilde Picolli, ambas representando Erechim. A Frinape, portanto, nascia durante as gestões do então prefeito erechinense, Eduardo Pinto, e de Romeu Madalozzo, presidente da ACCIE, sendo estes, inclusive, os responsáveis a conferir oficialmente a Juracema o título que foi por ela conquistado.

Homenagens prévias que remetem a 1966

O lançamento oficial da ‘‘Frinape 2026’’, ocorrido em 14 de agosto, no Parque da ACCIE, registrou um momento memorial que sugere que a marca de 60 anos de existência da feira tende a ser valorizada na edição a ser realizada no mês que vem. Em si, parte da solenidade foi dedicada à memória da Frinape, o que incluiu a apresentação de um vídeo que revisitou a trajetória iniciada em 1966. Contudo, houve dois momentos que estiveram conexos diretamente à primeira edição, quando tanto Mozart Lago quanto Ana Maria Zambonatto foram homenageados pelo comitê organizador. Lago recebeu uma pedra prometida a ser integrada à Calçada da Fama da ACCIE, enquanto Zambonatto um buquê de flores. Entretanto, a principal mensagem desejada e transmitida pela organização esteve na valorização da memória de duas figuras que simbolizam, respectivamente, a criação de uma identidade duradoura para a Frinape e a tradição de uma Corte que continua fazendo parte de sua representação institucional.

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