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Opinião

Para onde vai o nosso dinheiro?

Nós – o povo é que damos o aval para o Governo administrar o nosso dinheiro

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Roberto Ferron
Por Engº. Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental
Foto Roberto M. Ferron

Tem pessoas que acreditam que os governos fabricam dinheiro, e inclusive não dão muita atenção para esta questão crucial na vida da população. Eles não fabricam nada, só arrecadam e muito, seja via impostos, tributos, multas, entre outras formas.

Governo Federal arrecadou em 2025: 5,89 trilhões de reais. E como este bolão é distribuído: 

- 1º) R$ 3,36 trilhões (56,9%) vai anualmente para pagar a dívida pública;

- 2º) R$ 1,09 trilhão (18,4%) para pagar a Previdência Social (aposentadorias);

- 3º) R$ 282,9 bilhões (4,8%) para pagar os Benefícios Sociais;

- 4º) R$ 234,4 bilhões (4,0%) para saúde;

- 5º) R$ 175,4 bilhões (3,0%) para educação;

- 6º) R$ 175,9 bilhões (2,1%) para trabalho;

- 7º) R$ 95,9 bilhões (1,6%) para defesa nacional;

- 8º) R$ 34,3 bilhões (0,6%) para agricultura;

- 9º) R$ 29,1 bilhões (0,5%) para gestão ambiental;

- 10º) R$ 46,1 bilhões (8,1%) outros gastos.

Bolsa Família: custa 20 vezes mais que o Agro, que arca em grande parte os custos do Brasil. São R$ 159,5 bilhões contra R$ 7,9 bilhões dos juros subsidiados do agro. O PIB do agro brasileiro é de R$ 3,11 trilhões.

Máquina pública: tem 71.291 cargos eletivos, sendo: 58.444 vereadores, 5.569 Prefeitos, 5.569 vice-prefeitos, 1.059 Deputados Estaduais, 513 Deputados Federais, 81 Senadores, 27 Governadores de Estados e DF, 27 vice-governadores, 01 vice-presidente da República e 01 Presidente. Os custos do sistema republicano são de R$ 14,9 bilhões (deputados e senadores). Fora os servidores concursados e “CCs”.

Custo da máquina pública: é grande problema do país, isto explica por que temos um grande potencial, mas crescemos pouco ou quase nada anualmente. Os números oficiais mais recentes mostram o tamanho total desta conta.

Em 2025, todo o gasto do governo, seja da união, estados, municípios e juros da dívida chegou a 46,9% do PIB. É o maior nível em 16 anos. Somente o Governo Federal gasta 34% do PIB.

Para 2026, a previsão do Ministério do Planejamento é que o gasto primário - sem juros - chegue a 19,55% do PIB, o maior desde a pandemia.

O que isto representa na prática: de cada R$ 100 que o Brasil produz, quase R$ 47 passam pela mão do governo para as gastanças desenfreadas. E para onde vai esse dinheiro?

a) Folha de pagamento do funcionalismo: 12% a 13% do PIB só com salários de servidores - nível parecido com países nórdicos como Noruega e Suécia. Mas temos menos servidores que a média da OCDE: 12,3% da força de trabalho aqui, contra 23,5% lá. O enorme problema não é quantidade, é o custo: salários médios do Judiciário são o dobro do Executivo, de R$ 16 mil contra R$ 8 mil, e ainda tem os "penduricalhos" que furam o teto. E aí, alguém da pelota para o tal de teto?

O IPEA mostra que o gasto da União com pessoal caiu de 2,6% do PIB em 2002 para 1,79% em 2024 - mas os estados e municípios aumentaram.

b) Juros da dívida: eis o maior vilão da alta recente na gastança foram os “juros da dívida”. O Tesouro diz que o aumento de 2025 foi "determinado principalmente pela elevação das despesas com juros". O governo paga mais de R$ 950 bilhões por ano só de juros, quase 8% do PIB. É mole!

Os entendidos dizem que nosso grande problema é “estrutural”.  Ou seja, 92% do orçamento é obrigatório, o governo não pode escolher onde gastar. Então, sobram apenas 8% para investimento, desse montante, 25% a 30% já estão presos em emendas do Congresso. Portanto, restam apenas 2,8% do PIB para investimentos.

As previsões do crescimento do PIB para 2027 são de apenas 2%. Nos últimos 40 anos o PIB do Brasil cresceu 146%, média de 3,65% a.a., enquanto o mundo cresceu 337%, ou seja 8,42% a.a., e os outros países emergentes cresceram 589%, equivalente a 14,72%. O nosso vizinho Paraguai projeta 10% de crescimento para o próximo ano. O nosso Brasil segue estagnado, sem perspectivas de evolução.

A nossa dita máquina pública é uma das mais caras do planeta. Gastamos como país rico, 12% do PIB com folha, mas se entrega serviço de país em desenvolvimento. Como quase todo orçamento está carimbado para salários, aposentadorias e juros, sobra pouco para investir em infraestrutura (estradas, portos, aeroportos, energia), desenvolvimento industrial e agrícola, e em educação, que são os fatores determinante para transformar o país numa potência mundial. Por isso a discussão sobre Reforma Administrativa deve ter a premissa sobre gastar menos, ser mais eficiente e eficaz.

Pelo visto, há promessas de gastanças desenfreadas ou de cortes. Lembrando que nós – o povo, é que damos o aval para o Governo administrar o nosso dinheiro a cada quatro anos. Portanto, veja bem para quem vai dar seu aval!

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